Bendito seja o Fru.To, Diálogos do Alimento
Bendito seja o Fru.To, Diálogos do Alimento

Érica Araium
Idealizadora de Diálogos Comestíveis, estrategista de branding, marketing e comunicação. Jornalista. Palestrante. Ávida por #MotivosParaDialogar.

Érica Araium
Idealizadora de Diálogos Comestíveis, estrategista de branding, marketing e comunicação. Jornalista. Palestrante. Ávida por #MotivosParaDialogar.
Alex Atala anunciou seu bendito Fru.To em agosto de 2017. Em 2018, sob o mote Diálogos do Alimento, tornamo-nos a nos ver sob o beiral do que há de certeza sobre o comer no futuro. Estamos protegidos, por ora, pela ideia de que o consumo consciente tem deixado de ser discurso para conjugar-se em ações. Os nossos #MotivosParaDialogar se multiplicaram por razões e afãs diversos nos últimos meses, êba! E, entre os dias 26 (sexta-feira) e 27 de janeiro (sábado), serão ao menos 30 - número de palestrantes que ocupará o auditório do Unibes Cultural, em São Paulo (SP), para discutir, em três tempos (três eixos), "as melhores estratégias e alternativas para a produção de alimento bom, limpo e justo nos próximos anos".
Uma agenda de ações será estabelecida ao final da prosa. Ao-vivo, direto do auditório e/ou pela internet (o evento terá transmissão simultânea pelo YouTube, neste link) estaremos juntos, travando nossas pensatas sobre a gastronomia em movimento. Qual o papel da mídia no processo de transformação do consumo consciente? Fru.To abre as discussões de 2018. Prosseguiremos com elas pelos próximos dois anos, fazendo o nosso. Como tem sido até aqui.
Organizado por Atala e pelo produtor cultural Felipe Ribenboim, com a chancela do Instituto ATÁ, Fru.To pretende provocar os espectadores a ponderar "como levar alimento de qualidade a uma população mundial que pode chegar a 8,6 bilhões de pessoas já em 2030, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU)". Para isso, as discussões serão divididas em três grandes eixos, cultural, biológico e social; e acomodadas sobre os mindsets inquietos de nomes de peso mundial.

PALESTRAS
O italiano Carlo Petrini, presidente e fundador do movimento Slow Food, pelo óbvio, se unirá ao grupo de especialistas para tratar da Sociologia do Alimento, na manhã do sábado. Vive por aqui, sabemos, como bom defensor da ideia de que comer é um ato político. Revira, nas linhas e nas entrelinhas de seus escritos, as entranhas dos jovens gastrônomos desde os anos 1980. Em 2016 ele foi indicado pela ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) embaixador do programa Fome Zero para a Europa. Deve trazer frescor de novidade à chuva nos molhados sobre a sustentabilidade.
Os eixos do Fru.To, aliás, são uma revisão, por assim dizer, ou reapropriação, melhor dizendo, do tripé conceitual "social, econômico e ambiental", do triple bottom line; ou do "justo, bom e limpo" do Slow Food. Se a maioria teima por decidir os rumos das cadeias produtivas na gôndola (virtual ou física), que pairemos sobre hortas urbanas, caminhos recortados por ciclofaixas e montes de coletores de materiais recicláveis para rumar, na mesma Sampa que acolhe a proposta, a alternativas eficazes à preservação da biodiversidade, à produção econômica sustentável e à justiça social.
Comprar orgânicos, ainda que ralhando do preço, e optar por não comer carne às segundas-feiras (por força de lei ou da moral) sem olhar nos olhos do produtor não nos torna salvadores das pátrias, embora nos ajude a limpar a consciência e a diminuir um pouquinho a nossa pegada ecológica. Ainda que não saibamos exatemente o impacto que um conglomerado de eletrodomésticos interligados pela Internet of Things (IoT) cause a longo prazo, vivemos atrás de tendências, queremos ser "in". E temos nos esquecido do real significado de patrimônio.
Por acaso salvaguardar a ancestral cultura de tantas etnias nacionais que delineou parte do nosso comer tão ufanista faz algum sentido em 2018? É o que pretende discutir a antropóloga e doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas Manuela Carneiro da Cunha durante a palestra Agrobiodiversidade e o Papel dos Povos Indígenas, na sexta-feira pela manhã, tema que muito nos interessa, sobretudo quando a gastronomia brasileira, finalmente, resolve identificar seus potenciais regionais, revisitar biomas e PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais).
Se as discussões sobre o eixo social estarão centradas no segundo dia do Fru.to, as ponderações sob os pontos de vista biológico, agronômico, ecológico, econômico-sustentável, genético e mais virão no dia da abertura. Célebre pelas iniciativas em sistemas agroflorestais sucessionais, o agricultor e pesquisador suíço, que vive há anos no Sul da Bahia, Ernst Götsch abordará o Uso Racional dos Recursos pela perspectiva da agricultura sintrópica.
Duas palestras, ainda, estão na mira de Diálogos Comestíveis: 1) a da bióloga e neurocientista brasileira Suzana Herculano sobre "sobre como nossas habilidades cognitivas dependem muito mais de tecnologia e sua transmissão cultural do que suspeitamos" (porque, para mapear tendências é preciso devorar neurônios e entender um tiquinho de bioologia e neuromarketing ajuda à beça). 2) a da jornalista especializada em desenvolvimento sustentável Isadora Ferreira, do Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas - Brasil.
Confira a programação completa no site do Fru.To e acompanhe a cobertura de Diálogos Comestíveis nos dias 26 e 27 de janeiro, on-line e on-time, pelas nossas redes sociais.

Serviço:
FRUTO | DIÁLOGOS DO ALIMENTO
Local: Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, 2.500, Sumaré, São Paulo
Data: 26 e 27 de janeiro de 2018
Capacidade: 300 convidados
Transmissão: Ao vivo, pela internet
Cobertura: Diálogos Comestíveis
{module [160]}